Como eu achei a paixão da minha vida me fazendo estas perguntas ridículas

Atualizado: 12 de Jul de 2018

Por Mark Manson

Um dia, quando meu irmão tinha 18 anos, ele entrou na sala de casa e orgulhosamente anunciou que um dia ele seria um senador.

A minha mãe provavelmente devolveu a ele o clássico tratamento do “Muito legal, meu filho”, enquanto eu certamente estava distraído por um pote de Sucrilhos ou algo do tipo.

Porém, durante 15 anos, este propósito ditou todas as decisões da vida do meu irmão: o que ele estudava, onde decidia morar, as pessoas com quem se conectava, e até mesmo os lugares onde ele passava suas férias e finais de semana.

E agora, depois de quase metade da vida de trabalho, ele é o presidente de um importante partido político na sua cidade e o juiz mais novo do estado. Nos próximos anos, ele espera concorrer a senador pela primeira vez.


Não me leve a mal. Meu irmão é uma aberração. Isso basicamente nunca acontece.


A maioria de nós não tem nem ideia do que quer fazer com a sua vida. Mesmo depois de terminar os estudos. Mesmo depois de conseguir um emprego. Mesmo depois de começarmos a ganhar dinheiro. Entre os meus 18 e 25 anos, eu mudei de aspirações de carreira com mais frequência do que troquei de cueca. E mesmo depois de eu ter meu próprio negócio, não foi até os meus 28 anos de idade que eu claramente defini o que eu queria para a minha vida.


É bem provável que você seja parecido comigo e que não tenha nem ideia do que quer fazer. É uma luta pela qual quase todo adulto passa: “O que eu quero fazer da minha vida?” Eu sou apaixonado pelo quê?” Em que eu não sou terrível fazendo?” Recebo com frequência e-mails de pessoas nos seus 40 ou 50 anos e que ainda não têm ideia do que fazer.


Parte do problema é o próprio conceito de “propósito da vida”. A ideia de que cada um de nós nasce para um propósito maior e que agora é a nossa missão cósmica descobrir. Esta é o mesmo tipo de lógica de merda usada para justificar coisas como cristais espirituais ou que 34 é o seu número da sorte (mas somente nas terças-feiras e durante a Lua cheia).


Aqui vai a verdade: nós estaremos na Terra por um período de tempo indeterminado. Durante este tempo a gente faz coisas. Algumas são importantes. Algumas não. E estas que são importantes são as que dão significado e felicidade à nossa vida. As não importantes basicamente apenas matam tempo.


Quando as pessoas dizem “O que eu deveria fazer da minha vida?” ou “Qual é o propósito da minha vida?” o que elas realmente estão perguntando é: “O que eu posso fazer de importante com o meu tempo?”


Esta é uma pergunta infinitamente melhor de se perguntar. É muito mais manejável e não tem toda aquela bagagem ridícula que a questão sobre o “propósito da vida” tem. Não tem motivo para você ficar contemplando o significado cósmico da sua vida enquanto você está sentado no sofá o dia todo comendo Doritos. Em vez disso, você deveria tirar a bunda do sofá e descobrir o que você sente que é importante.


Um dos e-mails mais comuns que eu recebo é de pessoas me perguntando o que elas devem fazer com a vida delas, qual é o seu “propósito da vida”. Esta é uma questão impossível de ser respondida por mim. Afinal, pelo que eu sei essa pessoa pode amar fazer roupas de tricot para gatos ou estar filmando pornografia gay em sua garagem. Eu não tenho nem ideia. Quem sou eu para dizer o que é certo e/ou importante para eles?


Depois de algumas pesquisas, eu bolei uma série de perguntas que ajudam as pessoas a descobrir por elas mesmas o que é importante para elas e o que pode acrescentar mais significado em suas vidas.


Estas perguntas não são, de jeito nenhum, definitivas. De fato, elas são um pouco ridículas. Mas eu as criei desta forma porque descobrir propósito em nossas vidas devia ser algo que é divertido e interessante, e não uma tarefa.


1. QUAL É O SEU SABOR FAVORITO DE SANDUÍCHE DE MERDA? ELE VEM COM UMA AZEITONA?


Ah, sim. A questão mais importante. Que tipo de sanduíche você gostaria de comer? Porque aqui vai a pequena verdade pegajosa sobre a vida que ninguém te conta nas reuniões de ensino médio: tudo é uma merda - algumas vezes.

Agora, isso soa incrivelmente pessimista da minha parte. E você pode estar pensando, “Hey Sr. Manson, vire esse olhar severo pra baixo”. Mas eu penso que na realidade esta é uma ideia libertadora.

Tudo envolve sacrifício. Tudo envolve algum tipo de custo. Nada é prazeroso ou inspirador o tempo todo. Então a pergunta é: qual luta ou sacrifício você está disposto a tolerar? Em última análise, o que determina a nossa capacidade de permanecer com algo que nos interessa é a nossa capacidade de lidar com os momentos difíceis e enfrentar os inevitáveis dias de podridão.

Se você quer ser um brilhante empreendedor de tecnologia mas você não sabe lidar com o fracasso, você não vai chegar longe. Se quer ser um artista profissional mas você não está disposto a ver o seu trabalho ser rejeitado centenas, senão milhares de vezes, você termina antes de começar. Se você quer ser um advogado figurão de tribunais mas não aguenta as semanas de trabalho de 80 horas, então tenho notícias ruins para você.


Com quais experiências desagradáveis você consegue lidar? Você é capaz de passar toda noite codificando? Você é capaz de ser expulso a risos do palco várias vezes até conseguir acertar? Você pode adiar começar uma família por 10 anos?


Que sanduiche de merda você quer comer? Porque todos nós somos servidos de um eventualmente. Melhor então escolher um com uma azeitona.


2. O QUE É VERDADE SOBRE VOCÊ HOJE E QUE FARIA VOCÊ CHORAR AOS 8 ANOS DE IDADE?


Quando eu era criança, eu costumava escrever histórias. Eu sentava no meu quarto e ficava por horas escrevendo sobre aliens, super-heróis, guerreiros, sobre meus amigos e minha família. Não por querer que alguém lesse. Não por querer impressionar meus pais ou meus professores. Mas pela pura alegria de fazê-lo.


E então, por alguma razão, eu parei. E eu não me lembro por quê.


Todos nós temos a tendência de perder contato com aquilo que amamos enquanto criança. Alguma coisa sobre as pressões sociais da adolescência e as pressões profissionais do jovem adulto espremem de nós a paixão. Fomos ensinados que o único motivo para fazer algo é se nós somos de alguma forma recompensados por isso.


Não foi até meus 20 e poucos anos que redescobri o quanto amo escrever. E não foi até eu começar meu negócio que me lembrei o quanto gostava de construir sites - algo que eu fazia na minha adolescência apenas por diversão.


O engraçado, porém, é que se meu eu de 8 anos perguntasse ao meu eu de 20 anos: "Por que você não escreve mais?" E eu respondesse: "Porque não sou bom nisso" ou “Porque ninguém lê o que eu escrevo" ou “Porque você não pode ganhar dinheiro fazendo isso", não só estaria completamente errado, mas essa versão de 8 anos de mim provavelmente teria começado a chorar.


3. O QUE FAZ VOCÊ ESQUECER DE COMER E IR AO BANHEIRO?


Todos nós tivemos essa experiência onde ficamos tão embrulhados em algo que os minutos se transformam em horas e horas se transformam em "merda, eu esqueci de jantar".

Supostamente, em seu auge, a mãe de Isaac Newton teve que regularmente chegar e lembrá-lo de comer porque ele seguiria dias inteiros tão absorvido em seu trabalho que esqueceria de fazê-los.

Eu costumava ser assim com videogames. Provavelmente isso não foi bom. Na verdade, durante muitos anos foi um problema. Eu me sentava e jogava em vez de fazer coisas mais importantes, como estudar para uma prova, tomar banho regularmente ou falar com outros humanos cara a cara.


Não foi até eu desistir dos jogos que eu percebi que minha paixão não eram os jogos em si (embora eu os ame). Minha paixão é por melhorar, ser bom em algo e depois tentar melhorar. Os próprios jogos - os gráficos, as histórias - eram legais, mas eu posso viver facilmente sem eles. É na competição - com os outros, mas especialmente comigo mesmo - que eu prospero.


E quando apliquei aquela obsessão pela melhoria e pela auto-competição em um negócio na internet e na minha escrita, bem, as coisas deslancharam de uma maneira muito forte.


Talvez para você seja outra coisa. Talvez seja organizar as coisas de maneira eficiente, se perder em um mundo de fantasias, ensinar algo a alguém ou resolver problemas técnicos. Independente do que seja, não olhe apenas para as atividades que te deixam acordado a noite inteira e te encantam, mas olhe para os princípios cognitivos por trás delas. Porque eles podem facilmente ser aplicados em outro lugar.


4. COMO VOCÊ PODE SE ENVERGONHAR MELHOR?


Antes que você possa ser bom em algo e fazer algo importante, primeiro você deve ser péssimo em algo e não ter ideia do que está fazendo. Isso é bem óbvio. E, para ser péssimo em algo e não ter ideia do que você está fazendo, você precisa passar vergonha de alguma forma, muitas vezes repetidamente. E a maioria das pessoas tenta evitar se envergonhar, claro, porque é uma merda.


Portanto, devido à propriedade transitiva das coisas fantásticas, se você evitar tudo que poderia potencialmente te envergonhar, então você nunca vai acabar fazendo alguma coisa que sinta como importante.


Sim, parece que, mais uma vez, tudo se resume à vulnerabilidade.


Neste momento há alguma coisa que você quer fazer, algo que você pensa em fazer, algo que você fantasia em fazer, e mesmo assim você não faz. Você tem os seus motivos, sem dúvida. E você repete estes motivos para si mesmo ad infinitum.


Mas quais são esses motivos? Porque eu posso te dizer agora que, se esses motivos se basearem no que os outros pensaria, então você está se ferrando pra valer. Se os seus motivos são algo parecido com “Não consigo iniciar uma empresa porque passar tempo com meus filhos é mais importante para mim” ou “Jogar Starcraft o dia todo provavelmente interferiria com minha música, e a música é mais importante para mim” então ok. Parece bom.


Mas se os seus motivos são: "Meus pais odiariam", ou "Meus amigos ririam de mim", ou "Se eu falhasse, eu ficaria como um idiota", então é provável que você esteja evitando algo com o que você realmente se importa, porque cuidar dessa coisa é o que assusta demais VOCÊ, não o que a mãe pensa ou o que Joãozinho ali do lado está dizendo.


As melhores coisas são, por natureza, únicas e não convencionais. Portanto, para alcançá-las, devemos ir contra a mentalidade da multidão. E fazer isso é assustador.


Abrace o embaraço. Sentir-se tolo faz parte do caminho para alcançar algo importante, algo significativo. Quanto mais uma decisão importante da vida te assusta, maior é a chance de você precisar estar fazendo.


5. COMO VOCÊ VAI SALVAR O MUNDO?


Caso você não tenha visto as notícias ultimamente, o mundo tem alguns problemas. E por “alguns problemas”, o que eu realmente quero dizer é “está tudo uma merda e todos vamos morrer”.


Eu já pensei incessantemente nisso anteriormente e as pesquisas também fazem isso, mas para viver uma vida feliz e saudável, devemos nos apegar a valores que são maiores do que nosso próprio prazer ou satisfação.


Então, escolha um problema e comece a salvar o mundo. Há muitas opções para escolher. Nosso sistema educacional falho, desenvolvimento econômico, violência doméstica, cuidados de saúde mental, corrupção no governo. Imagina, hoje mesmo no café da manhã li um artigo sobre tráfico sexual nos Estados Unidos, fiquei muito irritado e queria poder fazer algo a respeito. Arruinou meu café da manhã.


Encontre um problema com o qual você realmente se importe e comece a resolvê-lo. Obviamente, você não vai resolver sozinho um problema mundial, mas você pode contribuir e fazer a diferença. E este sentimento de fazer a diferença é, no fim das contas, o que é mais importante para sua própria felicidade e satisfação.


Agora, eu sei o que você está pensando. “Nossa, eu leio sobre coisas horríveis também e isso também me irrita, mas isso não se traduz em ação, muito menos um novo caminho de carreira.”


Que bom que você perguntou...


6. SE VOCÊ OBRIGATORIAMENTE TIVESSE QUE FICAR O DIA TODO FORA DE CASA, TODOS OS DIAS, ONDE VOCÊ GOSTARIA DE IR E O QUE VOCÊ FARIA?


Para muitos de nós, a inimiga é apenas aquela antiga e famosa complacência. Nós nos perdemos em nossa rotina. Nos distraímos. O sofá é confortável. O Doritos é crocante. E nada de novo acontece.


Isso é um problema.


O que a maioria das pessoas não entende é que a paixão é o resultado da ação e não a causa dela.


Descobrir pelo que você é apaixonado na vida e o que importa para você é um esporte de alto contato, um processo de tentativa e erro. Nenhum de nós sabe como nos sentimos em relação a uma atividade a não ser que a realizemos.


Se pergunte, se alguém te forçasse a deixar a sua casa todos os dias para tudo, exceto dormir, como você escolheria se ocupar? E não, você não pode simplesmente sentar em uma cafeteria e ficar olhando o Facebook. Isso você provavelmente já faz. Vamos fazer de conta que não existem sites úteis, videogames, nem televisão. Você tem que estar fora de sua casa o dia todo, todos os dias até chegar a hora de dormir, onde você iria e o que você faria?


Iria se inscrever em um curso de dança? Entrar para um clube de livros? Obter outra formação? Inventar um novo sistema de irrigação que pode salvar as milhares de crianças que vivem na parte rural da África? Aprender a saltar de asa-delta?

O que você faria com todo esse tempo?


Se lhe apetecer, escreva algumas respostas e, então, sabe, saia e realmente as faça. Pontos extra se isso envolver te envergonhar.


7. SE VOCÊ SOUBESSE QUE IRIA MORRER EM UM ANO, O QUE VOCÊ FARIA E COMO VOCÊ GOSTARIA DE SER LEMBRADO?


A maioria de nós não gosta de pensar sobre a morte. Nos assusta. Mas pensar sobre a nossa própria morte, surpreendentemente, tem muitas vantagens práticas. Uma destas vantagens é que nos força a zerar sobre o que é realmente importante em nossas vidas e o que é apenas frívolo e distrativo.


Quando eu estava na faculdade, eu costumava perguntar às pessoas, “Se você tivesse mais um ano apenas para viver, o que você faria?” Como você pode imaginar, eu fazia sucesso nas festas. Muitas pessoas me respondiam de forma vaga e chata. Muitos quase cuspiam seus drinks em mim. Mas isso fez com que realmente pensassem sobre suas vidas de uma maneira diferente e, algumas vezes, reavaliassem quais eram suas prioridades.


Qual vai ser o seu legado?

Quais são as histórias que as pessoas vão contar quando você partir? O que vai dizer o seu obituário? Existe alguma coisa a dizer? Caso contrário, o que você gostaria de dizer? Como você pode começar a trabalhar nisso hoje?


E, mais uma vez, se você fantasia sobre o seu obituário dizendo um monte de merda que impressiona um monte de outras pessoas aleatórias, então você está falhando aqui.


Quando as pessoas sentem que elas não têm senso de direção, não têm um propósito, frequentemente é porque elas não sabem o que é importante para elas. Elas não sabem quais são os seus valores.


E quando você não sabe quais são seus valores, então você pega emprestado os valores de outras pessoas e vive as prioridades dos outros, e não as suas.


Descobrir o propósito de uma pessoa na vida se resume basicamente a encontrar aquelas uma ou duas coisas que são maiores do que você e maiores do que aqueles que o cercam.


E para encontrar estas coisas você precisa sair do sofá e agir, e tirar o tempo para pensar além de si mesmo, pensar em mais do que você e, paradoxalmente, imaginar o mundo sem você.




Autor: Mark Manson

Artigo original retirado de: https://markmanson.net/life-purpose

Tradução: Vitória Lima Reginatto

Revisão: Carol Casagrande

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