Como humanizar o digital?

Atualizado: 25 de Mar de 2019



Me pergunto quantas tecnologias digitais e conceitos dessa Era Pós Digital são realidade na vida de alguns especialistas, mas estão tão distantes do resto da população. Pessoas que não trabalham com o tema, mas que são usuários, ousaria dizer até que, talvez, ingênuos clientes — essa semana li a frase de que não somos usuários do Facebook, somos usados pelo Facebook, numa fala de Richard Stallman, precursor do software livre.


Mas somos, também, possíveis criadores de coisas incríveis ao ter entendimento desta e daquela ferramenta digital. Às vezes, só por ter compreensão de uma lógica diferente. Ao ter entendimento do que diabos está acontecendo no mundo, na verdade, e do quão longe (já) conseguimos chegar tendo a tecnologia como base.


Observo esse distanciamento das tecnologias “emergentes” e do meu dia dia na minha vida particular. Por exemplo, a primeira vez que eu realmente me preocupei em entender o que era IoT — Internet das Coisas — foi em 2015. O assunto surgiu numa conversa entre colegas de trabalho e eu finalmente, depois de 1 ano participando de eventos de inovação, ouvindo comentários sobre, fingindo ou acreditando que estava entendendo do que se tratava… eu questionei o que realmente significava essa tecnologia.


O que seria um exemplo prático e porque algo era ou não era IoT. E foi quando um colega de trabalho trouxe um exemplo simples do que seria uma geladeira com IoT, eu pude acordar comigo mesma, chegar numa definição do conceito, e entender o quão incrível e palpável isso é.



Explain Like I’m Five: explique como se eu fosse uma criança de 5 anos de idade. Aqui, um vídeo (em inglês) explicando Realidade Virtual para crianças, adolescentes, universitários e especialistas. Didática é tudo!


Recentemente, ao ler um artigo na revista do Institute For the Future de nome “So you want to be a Thing on the Internet”, me lembrei dessa história pessoal. Desse momento simples, em que depois de tanto ouvir falar de um conceito e estar em meios que falavam sobre, consegui finalmente entender. Claro, num nível básico e conceitual, percebi o que a tecnologia X significa de mudança na vida das pessoas — e o que poderia ser feito a partir disso. E se eu, que frequento eventos esporádicos de inovação e tecnologia, tenho esse distanciamento de alguns conceitos e da lógica digital… Imagina quem está totalmente fora desse universo.

O futuro já está aqui, só não está distribuído igualmente

Como William Gibson, escritor que inspirou a trilogia Matrix, afirmou “O futuro já está aqui, ele só não está distribuído igualmente”. Temos toda essa possibilidade de usos de dados e de tecnologia que não está acessível e humanizada para o nosso dia a dia.


Eu sei que as coisas levam tempo para popularizar, mas como podemos democratizar e facilitar esse conhecimento? Tirar essa inteligência daquelas bolhas específicas — bolha da inovação, do digital — e torná-la compreensível para um grupo de pessoas que, querendo ou não, são cidadãos de um mundo em rede e exponencial.


Essa não compreensão do funcionamento e das transformações digitais repercute, naturalmente, nas organizações. É relativamente comum na Fourge um cliente chegar dizendo “quero fazer uma transformação digital” e, quando nós começamos a falar sobre integração, horizontalidade, mindset… escutamos um belo “na verdade, eu estava pensando em fazer um aplicativo”.


Inserir um aplicativo, um ChatBot…não é isso que tornará uma empresa exponencial.


Mas, talvez, se os funcionários, pessoas que vivem, criam e formam uma organização, compreenderem a lógica, o significado das transformações digitais no mundo e conhecerem as diferentes oportunidades tecnológicas e seus potenciais de impacto…talvez essa abrangência de referencias abra espaço para um agir exponencial.


Quem sabe, o entender e tornar próximo é o primeiro passo para a humanização digital.

Por fim, um desafio: na próxima vez que escutar algum termo digital relativamente em moda, reflita se você sabe explicar o que significa e realmente entende esse conceito. Sinta-se convidado a descobrir, em termos práticos, no que reverbera essa tecnologia que você tanto ouve falar nos mil eventos de inovação.


Não basta estar na bolha se você (não) entende bulhufas.


Ainda mais em tempo de debates sobre manipulação e privacidade de dados — mas isso é assunto para outro texto.


Por Clarice Nilles Vamos conversar? manda um oi pra mim: clarice.nilles@fourge.com.br

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