Entendendo a essência de ecossistemas

Atualizado: Jun 15


Muitos são os temas e conceitos que estão no hype do universo empreendedor hoje em dia. O próprio tema “empreender” já deixou de estar no pico das expectativas infladas do hype e hoje está muito mais em uma posição de rampa de entendimento. Entretanto, não é incomum vermos palestras/talks/workshops/qualqueroutracoisaeminglês sobre “cultura 4.0”, “ambientes de inovação”, “trabalho ultra colaborativo”, “competição colaborativa”, etc, etc, etc.


Temas que saem do micro universo das empresas e começa a alcançar o universo das interações humanas nas organizações.

De fato, tem gente boa que fala e faz sobre esses temas. Porém, é interessante entender a essência de cada um deles.


Um exemplo muito frequente em ambientes empreendedores é falar sobre ecossistemas. A ideia de existir um ambiente que fomente o empreendedorismo (e talvez em outras palavras à época) existe desde a publicação do livro The Theory of Economic Development de Joseph Schumpeteer em 1911. Desde então, muita gente vem tentando entender o que faz com que um ambiente se torne, de fato, um ecossistema.


Para isso, é importante entender que a ideia de ecossistema vem diretamente da biologia. Para termos um eco-sistema é preciso ter vida ativa, bem como um sistema que represente um conjunto de elementos interdependentes organizados. Assim, um ecossistema vem a ser um organismo - vivo - que tenha interações sistemáticas.

Talvez um pouco confuso se olharmos para um lado biológico. Porém, em lado de organizações, faz muito sentido.


Digamos que temos uma empresa de tecnologia. Essa empresa se encontra em uma badalada rua de nome composto em uma capital brasileira. O simples fato do core business estar alinhado com as necessidades do mundo e a rua ser cheia de gente e de outros negócios dos mais variados cores faz desse ambiente um ecossistema? Ainda não.


Existem 4 elementos que a galera da Wylinka traz com base na Kauffman Foundation que respondem diretamente à essência do termo “ecossistema”: fluidez, densidade, conectividade e diversidade.


Quando falamos de densidade, talvez seja o aspecto mais alinhado com o exemplo anterior. Estamos falando de “quanta gente está fazendo coisas que movimentam a economia nesse ambiente e está alinhada com os valores existentes no ambiente?”.


Portanto, o volume de pessoas e empresas alinhadas importa.


Já quando falamos de conectividade, estamos falando de pontos de contato vivos que estimulem a interação entre essas pessoas. Não estamos falando somente de eventos, meetings, encontros, etc. Estamos falando desses exemplos e outros que façam com que as pessoas se esbarrem e se conheçam, não sendo mais estranhos. É necessária uma troca de energia. É quase como falar de termodinâmica de gases do ensino médio: quanto mais moléculas se chocando e trocando energia, mais trabalho existirá.


Por fim, quando falamos de fluidez e pluralidade estamos falando de pontos distintos e complementares entre si. A fluidez fala das trocas que existem entre os atores desse ecossistema. Se não houver troca de conhecimento, ações e ferramentas, o ecossistema não será tão vivo. Ainda, se essa troca for feita entre atores completamente iguais e de mesmo background, não será tão rica. E é aqui que a pluralidade se encaixa.


É assim que podemos começar observar se o nosso ambiente responde à essência do ecossistema. São 4 pilares simples e poderosos.


E não basta querermos criar um ecossistema com somente um desses 4 pilares - ou um dos 9 pressupostos ditos por Isenberg - sem que todos estejam em harmonia. E harmonia é diferente de equilíbrio, pois no equilíbrio um lado tem que pesar menos que o outro para encaixar a balança.


Precisamos entender mais se nossos ecossistemas são mais ecos do que eco ou mais sistemáticos do que sistêmicos.


É hora de criarmos ecossistemas que representem as vidas que por ele passam. Texto por Felipe Becker

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