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Do fogo à IA, inovação segue conectada às pessoas

  • camilagalvez24
  • 29 de out.
  • 5 min de leitura

Avançamos exponencialmente, mas o ser humano ainda é o principal responsável por resolver os grandes problemas da sua própria espécie - e isso passa por mudar, também, a forma como aprendemos


Por Camila Galvez*


Tudo começou com uma fagulha. Um ancestral distante bateu duas pedras e fez nascer o fogo, talvez o primeiro ato consciente de inovação humana. 


Passaram-se 3,3 milhões de anos desde as primeiras ferramentas até o momento em que aprendemos a cultivar a terra, e mais milhares de séculos até transformarmos o vapor em movimento na Revolução Industrial. Depois disso, o tempo começou a dobrar sobre si mesmo: em apenas 200 anos, criamos a computação; em 40, a internet; e em menos de duas décadas, o mundo inteiro se tornou digital.


inovação segue conectada às pessoas

Agora, na era da inteligência artificial, a inovação se multiplica exponencialmente. Isso quer dizer que o intervalo entre a descoberta e o impacto cabe em dias, às vezes em horas. É como se toda a história da humanidade tivesse se comprimido em um único piscar de olhos. E o fogo que um dia acendemos continua queimando, mas agora em forma de código e consciência.


Se o fogo inaugurou a era da criação e a internet a da conexão, a inteligência artificial inaugura agora a da amplificação. Pela primeira vez desde que começamos a trabalhar como espécie, o próprio ato de fazer está mudando. Durante mais de 70 anos, mesmo com toda a revolução digital, escrever um artigo, elaborar um relatório ou criar uma planilha era, essencialmente, o mesmo gesto, apenas migrando da máquina de escrever para o computador, e depois para o smartphone. A mudança estava na distribuição, não na execução. “Da internet pra cá, tudo mudou, menos o trabalho em si. Agora, pela primeira vez, surge algo que altera o próprio fazer. A IA consegue rascunhar, corrigir, pesquisar, entregar o que antes exigia esforço manual e mental. É um salto que tira o peso dos braços e pernas e o transfere para o cérebro”, explica o especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja.


Essa revolução redefine o que entendemos por produtividade. “Durante muito tempo, acreditamos que quem trabalhava com conhecimento estava protegido da evolução das máquinas. Mas agora é justamente a economia do conhecimento que está sendo impactada de forma direta. Tudo pode ser feito em muito menos tempo e por muito menos gente. Vivemos a era das empresas enxutas”, complementa Igreja.


Isso cria um baita de um paradoxo: temos mais tempo para ser humanos e desenvolver habilidades que são essencialmente humanas. Falo aqui de pensamento crítico, empatia, criatividade, mesmo o ato de se incomodar com algo e querer mudar. Mas o que vemos acontecer na prática é um desafio muito mais complexo: a IA substitui o trabalho que executamos como robôs, e tem muita gente lutando com unhas e dentes pra manter o status de… robô.  


Pois é: a inovação é tudo o que o cérebro humano não quer fazer. Nossa mente foi moldada para buscar segurança, repetir padrões e evitar o novo. O novo nos tira da zona de conforto e - pasmem - ela é confortável. O ditado “em time que está ganhando não se mexe” expressa bem isso, mas, ironicamente, é justamente nos times que estão ganhando que a mudança deveria começar, pra que eles continuem vencendo. Essa é a provocação de Igreja: “o nosso cérebro foi desenhado pra método, resultado e repetição. O novo representa incerteza, queda de performance, gasto de energia. Aprender algo novo exige um esforço brutal. É muito mais fácil dizer que é perigoso e seguir fazendo do mesmo jeito.”


A verdade é que a tecnologia avançou muito mais rápido do que o nosso cérebro. Enquanto algoritmos são capazes de capturar emoções humanas nas redes sociais em milissegundos, seguimos operando com o mesmo “chassi” paleolítico, com instituições lentas, pensamentos lineares, medo do incerto. A cada semana, o motor tecnológico se torna mais potente, mas o hardware humano segue o mesmo. E, nesse descompasso, corremos o risco de sermos os únicos a não evoluir dentro da nossa própria criação.


O aprendizado como chave da inovação


Mas se o avanço tecnológico é inevitável e cada vez mais veloz, a nossa capacidade de acompanhar esse movimento depende de algo que não nasce nas máquinas: nasce na forma como aprendemos.


A inovação, afinal, não é um dom genético nem uma habilidade restrita a gênios do Vale do Silício. É uma forma de pensar, de olhar o mundo, de questionar o que está posto. E é na educação, desde a infância até as universidades e empresas, que esse pensamento pode florescer ou se perder.


É por isso que Marina Alano, community manager da Fiap, defende que formar profissionais inovadores é um compromisso que começa nas pessoas e se estende para a sociedade. E essa formação passa, inevitavelmente, pelo resgate de habilidades humanas. “A liberdade para errar ainda é uma das bases da inovação, e nós seguimos punindo o erro. Precisamos também reaprender a nos comunicar. A máquina entende o que pedimos, mas se não soubermos perguntar, investigar, cruzar dados, interpretar… não estaremos usando a tecnologia de forma inteligente.”


A nova geração traz um sopro de esperança e um desafio. São nativos digitais, aprendem rápido, pensam de forma fluida, mas também estão expostos a estímulos constantes e a uma capacidade de concentração cada vez menor. “O papel da educação é canalizar essa energia para o pensamento crítico e criativo, e não apenas para o consumo rápido de conteúdo”, afirma Marina.


Ela também lembra que as empresas têm papel essencial nesse novo modelo educativo, como espaços de aprendizado contínuo. “A tecnologia muda, e nós precisamos mudar junto. Isso exige uma cultura organizacional voltada ao lifelong learning, conexão com universidades e programas que promovam trocas reais com estudantes e pesquisadores. A inovação nasce dessa mistura de mentes em diferentes estágios.”


E quando o assunto é ecossistema de inovação, Marina reforça que ele só funciona quando há comunidade. “Nenhum hub sobrevive sem pessoas engajadas. É o que chamamos de hélice de inovação — ensino, pesquisa, governo e sociedade, todos conectados. E o Rio Grande do Sul tem um papel potente nisso: é um dos mercados mais exigentes do país, e também um dos mais colaborativos.”


Disso a FOURGE sabe bem: aqui, inovação não se compra pronta, mas se constrói em conjunto. 


Marina destaca que a próxima revolução da educação não será uma nova plataforma, mas uma nova consciência. Uma alfabetização tecnológica que preserve o que temos de mais humano: a capacidade de pensar, sentir e criar.


Porque, em um mundo em que a inteligência artificial já pensa por nós, inovar será, mais do que nunca, um ato profundamente humano.


*Camila Galvez é jornalista na FOURGE e estudante de História. Uma sagitariana inquieta e cheia de perguntas, que traz em seus textos um olhar para o passado na tentativa de entender o presente e ajudar a construir o futuro




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