Saiba como tornar o ambiente de trabalho trans inclusivo

Neste Dia Nacional da Visibilidade de Pessoas Transexuais e Travestis, te damos dicas do que fazer para que o seu negócio seja mais diverso. E a mais importante delas é querer


- Oi, bom dia! Qual seu nome?

- Juliana.

- Mas no seu crachá está escrito Fábio…


A cena acima é fictícia, mas representa muito bem uma das diversas violências sofridas pela população trans no ambiente de trabalho. Isso quando essas pessoas conseguem emprego. De acordo com estimativas da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 90% das travestis e transexuais no Brasil precisam recorrer à prostituição para sobreviver. Ainda conforme a associação, 88% das pessoas entrevistadas em um outro estudo acreditam que as empresas não estão preparadas para contratar ou garantir a permanência de pessoas trans em seus quadros.

A falta de oportunidades de trabalho causa outros tipos de violência, como a insegurança alimentar, que é realidade para 56,82% da população trans, e influencia diretamente na expectativa de vida dessas pessoas, que não passa dos 35 anos. Além disso, o Brasil é o país com maior índice de homicídios de pessoas trans, segundo a ONG Transgender Europe.


As empresas têm um importante papel de contribuição para mudar esse cenário. O ponto principal é oferecer oportunidades para que a população trans seja inserida no mercado de trabalho, mas não é o único. É preciso garantir, também, que essas pessoas se sintam acolhidas e respeitadas em sua diversidade.

A seguir damos algumas dicas de como tornar o ambiente do seu negócio mais inclusivo para a população trans:


Crie uma política nítida de contratação de pessoas trans

As lideranças e a gestão de pessoas devem ser envolvidas nessa política de forma a estar aptas e atentas para gerar oportunidades para as pessoas trans. E isso não significa apenas abrir um processo seletivo específico, mas também saber priorizá-las no momento das contratações gerais, analisando em primeiro lugar as habilidades, conhecimento e formação de cada pessoa (a gente sabe que isso soa óbvio, mas a prática, infelizmente, não é).


Promova a conscientização da equipe

Celebre atividades e eventos como o Dia da Visibilidade Trans (29/1) e o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ (28 de junho), mas não se limite a isso. Promova parcerias com órgãos de apoio ao público trans e crie um grupo específico na empresa para comunicar informações relevantes sobre o tema, tais como respeito ao uso do nome social e de pronomes de tratamento, o que é considerado assédio, entre outros. E não se esqueça: as pessoas trans não têm obrigação de educar as demais sobre o tema. Responder frequentemente a questionamentos - que podem ser invasivos e discriminatórios – cria um ambiente estressante e também é uma forma de assédio.


Abra um canal para denúncias

Não ignore as violências contra as pessoas trans ou contra qualquer outra pessoa no ambiente do seu negócio, mesmo que elas estejam disfarçadas de “brincadeiras” - o que costuma acontecer com frequência. Promova um diálogo aberto entre as pessoas da equipe sobre o tema e crie um canal específico para o recebimento de denúncias. E, claro, tome medidas para apurá-las e, assim, garantir que o problema não volte a ocorrer.


Apoie a capacitação

A identidade de gênero começa a se manifestar, em geral, na infância, tornando-se ainda mais evidente durante a puberdade e a adolescência. Por isso, muitas pessoas transexuais vivenciam questionamentos e conflitos internos na fase escolar e, sem apoio adequado, acabam deixando os estudos: 82% das mulheres trans e travestis abandonam o ensino médio entre os 14 e os 18 anos, de acordo com levantamento de 2017 feito pela RedeTrans (Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil) com ONGs. Portanto, apoiar a capacitação e treinamento dessas pessoas é uma das principais formas de não só garantir que elas sejam inseridas no ambiente de trabalho como, também, promover oportunidades de desenvolvimento de carreira.


E não custa lembrar: o primeiro passo para que todas essas dicas saiam do papel é simples: querer. Portanto, pratique a autoconsciência e entenda que inserir a diversidade no ambiente de trabalho não deve ser só discurso para ficar bonito na foto, mas sim um dever de todas as pessoas.


Descrição da imagem: imagem bem colorida com várias pessoas, algumas com binóculos, observando algo em comum.


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Diversidade e inclusão nos negócios: do discurso à mão na massa #treinarequipe #transformaçãocultural

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