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A conta da Saúde não fecha. E o que podemos fazer agora sobre isso

há 8 minutos
3 min de leitura

O problema da Saúde não é falta de tecnologia. É continuar operando complexidade, desperdício e cuidado fragmentado como se fossem inevitáveis


Por Luciano Luis Mantelli*


A Saúde suplementar brasileira não está diante de um problema pequeno. Em agosto de 2026, o Brasil tinha mais de 53 milhões de vínculos com planos de assistência médica, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Ainda conforme a ANS, no primeiro semestre, o setor de Saúde Suplementar registrou R$ 206,3 bilhões em receitas totais, enquanto a sinistralidade das operadoras médico-hospitalares chegou a 81,9%. 


E existe uma conta ainda mais incômoda que essa. Um estudo do IESS estimou que fraudes, abusos e desperdícios representaram 12,7% das receitas das operadoras em 2022, algo entre R$ 30 bilhões e R$ 34 bilhões.


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Então talvez a pergunta não seja mais quanto custa a Saúde. Talvez seja: quanto estamos pagando para manter uma forma ineficiente de operar a Saúde?


É aqui que a conversa sobre tecnologia precisa mudar. Porque colocar tecnologia em cima de processos ruins não transforma a operação. Só faz o processo ruim acontecer mais rápido.


A complexidade não pode ser desculpa.

Autorizações, auditorias, contas médicas, regulação, prestadores, hospitais, dados, indicadores, jornadas fragmentadas. A operação da Saúde acumulou camadas durante anos. O resultado é conhecido por quem está dentro dela: retrabalho, filas, informação que não conversa, equipes ocupadas com tarefas operacionais e decisões que chegam depois que o problema já aconteceu.


Eficiência, nesse cenário, não pode significar apenas fazer mais com menos. É preciso fazer menos do que não gera valor. Simplificar processos. Eliminar etapas desnecessárias. Automatizar aquilo que realmente precisa ser automatizado. Liberar profissionais para decisões que exigem conhecimento, contexto e responsabilidade.


Nesse caminho, existe uma contradição evidente no cuidado: investimos enormes recursos para tratar o paciente dentro do hospital e, muitas vezes, fragmentamos justamente o momento em que ele volta para casa. 


A alta não pode encerrar a jornada. Ela muda a jornada.

Desospitalizar não deveria significar simplesmente retirar o paciente do hospital. Deveria significar criar condições para que o cuidado continue com coordenação, informação e acompanhamento.


Outro ponto que podemos melhorar agora é a auditoria. Durante muito tempo, ela foi associada a conferir contas, encontrar inconsistências e evitar pagamentos indevidos. Tudo isso continua importante, se dúvida, mas não é suficiente. Se a auditoria apenas identifica o problema depois que ele aconteceu, estamos usando conhecimento especializado para apagar incêndios.


E se passássemos a olhar pra auditoria em busca de fazer os dados nos ensinarem sobre a própria operação? Os padrões, causas, riscos, desperdícios, oportunidades de prevenção. Com tudo isso em mente, monitorado e acompanhado por tecnologia, a auditoria pode deixar de ser apenas uma barreira de controle e se tornar uma inteligência estratégica para o cuidado e para a sustentabilidade.


No fim das contas, dá pra resumir tudo isso em menos volume e mais valor. Talvez essa seja a mudança mais profunda. Porque mais exames não significam necessariamente mais saúde. Mais procedimentos não significam necessariamente melhor cuidado. Mais tecnologia não significa necessariamente mais eficiência. Precisamos parar de confundir atividade com valor. Saúde Baseada em Valor coloca uma pergunta muito mais difícil sobre a mesa: qual resultado estamos produzindo para o paciente e para a população com os recursos que estamos utilizando?


É uma mudança de lógica. E ela exige conectar a assistência, operação, dados, tecnologia e a estratégia.


É exatamente por isso que, na FOURGE, não começamos pela tecnologia. Começamos pelo problema. Entendemos a operação. Identificamos onde estão as perdas invisíveis. Redesenhamos processos. Criamos inteligência. E só então usamos tecnologia para colocar essa transformação de pé. 


E quer saber qual o motivo? É porque tecnologia pode automatizar uma operação. Mas só uma boa combinação entre negócio, processos, pessoas e tecnologia consegue reinventá-la. 


Foram essas discussões que eu e o time da FOURGE Tech, nossa vertical que une tecnologia e negócios, levamos para a Convenção Nacional Unimed na última semana. Isso porque nós acreditamos que a Saúde brasileira não precisa de mais uma camada de complexidade. Precisa de coragem para questionar a que já existe. 


Você tem?


*Luciano Luis Mantelli é multiempreendedor, hacker de modelos de negócios e gestão, fundador da FOURGE e das suas verticais FOURGE Consultoria, FOURGE Tech, FOURGE Human e ZHERO, além de idealizador de projetos exponenciais que unem tecnologia, gente e impacto


Quer saber mais sobre como o nosso time pode te ajudar a usar a tecnologia de forma mais eficiente na sua organização de Saúde?







 
 
 

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