As a human: racionalidade sem intenção humana é só eficiência escalando o vazio
- há 18 horas
- 3 min de leitura
Por Luciano Luis Mantelli*
O Simpósio das Unimeds de Santa Catarina (SUESC) terminou, mas a provocação que o evento nos trouxe ficou ecoando: o futuro pede racionalidade.
Talvez esse tenha sido um dos pontos mais mal interpretados dos últimos tempos no setor de Saúde. Racionalidade não é ser frio, nem conservador. Também não é frear a inovação. É, na verdade, parar de tratar inovação como entusiasmo e começar a tratá-la como decisão. Decisão de fazer mais com menos. Decisão de gerar escala com consistência. Decisão de transformar de verdade, e não só experimentar.

Porque, sejamos diretos, o setor de Saúde já experimentou bastante. Agora precisa executar. E é aqui que entra uma pergunta desconfortável, mas necessária: se o sistema de Saúde fosse desenhado hoje, do zero, com tudo o que já temos disponível, ele seria igual?
A resposta é não.
Ele não começaria na doença. Não se organizaria em torno do hospital. E, principalmente, não perderia o paciente no meio do caminho.
Hoje, temos tecnologia suficiente para fazer diferente. Inteligência artificial, automação, dados em tempo real, integração de sistemas. Nunca tivemos tanta capacidade de escala. Mas ainda operamos com uma lógica antiga. Isso não é limitação tecnológica. É escolha. Escolhemos, como setor, continuar tratando o cuidado como evento, e não como jornada. Optamos por investir em eficiência sem garantir continuidade. Assim, avançamos em escala sem sustentar presença.
É por isso que eu tenho provocado executivos e líderes a pensarem em uma nova camada para o setor. Nós já conhecemos o as a service, que trouxe escala. Já estamos mergulhados no as an AI, que traz eficiência e velocidade. Mas falta o que realmente sustenta tudo isso.
O as a human.
Porque nem escala, nem eficiência, garantem cuidado. Essa falha aparece no ponto mais crítico da jornada. Aquele que todo gestor conhece, mas poucos conseguem resolver: o depois, seja da alta, da consulta, do procedimento, do que for. É quando o paciente vai pra casa que o sistema se dissolve, o acompanhamento falha, a responsabilidade se fragmenta. E é ali que, na prática, a gente percebe que eficiência sem humanidade não sustenta resultado.
Operar as a human não é rejeitar tecnologia. É o contrário. É usar tecnologia para ampliar o olhar, não para substituí-lo. É garantir que, mesmo em um ambiente automatizado, alguém esteja interpretando contexto, tomando decisão e sustentando o cuidado. É transformar execução em algo consciente.
O próximo nível do setor de Saúde não estará em uma nova tecnologia, mas na forma como escolhemos usar todas as que já existem. Se a racionalidade do SUESC apontou a direção, agora o desafio é outro: fazer acontecer.
Já começamos este movimento contigo no SUESC, lá no nosso estande. No fim do mês, teremos outra oportunidade de nos encontrarmos, desta vez na na Convenção Técnica Unimed, em São Paulo. Se essa provocação fez sentido para você, te convido a passar no estande da FOURGE Tech e continuar esse bate-papo.
Porque mais do que discutir o futuro da Saúde, está na hora de começar a operá-lo.
Nos vemos por lá!
Convenção Técnica Unimed
📅 27 a 30 de abril
📍 São Paulo – SP
* Luciano Luis Mantelli é multiempreendedor, hacker de modelos de negócios e gestão, fundador da FOURGE e das suas verticais FOURGE Consultoria, FOURGE Tech, FOURGE Human e ZHERO, além de idealizador de projetos exponenciais que unem tecnologia, gente e impacto




Comentários