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Pare de automatizar o que deveria desaparecer

há 11 minutos
3 min de leitura

A tecnologia mudou de papel. O próximo salto de eficiência não está em fazer processos antigos mais rápido, mas em decidir quais deles ainda fazem sentido


Por Luciano Luis Mantelli*


Tenho conversado cada vez mais com empresas que estão investindo pesado em tecnologia, mas continuam enfrentando os mesmos problemas operacionais de alguns anos atrás. Mais sistemas. Mais automação. Mais dados. Mais dashboards. E, muitas vezes, a mesma complexidade.


Isso acontece porque ainda existe uma ideia muito presente nas organizações: eficiência é fazer o mesmo processo mais rápido, com menos pessoas, menos tempo e menos custo. Esse é só o primeiro nível.


Eficiência operacional também é simplificar. E, principalmente, é reinventar. É encontrar outra forma de entregar valor, em vez de apenas otimizar a forma antiga de fazer alguma coisa.



Registro da palestra do Luciano sobre a transformação da tecnologia no Technow Serra Líderes 2026
Registro da minha palestra sobre a transformação da tecnologia no Technow Serra Líderes 2026

A tecnologia mudou justamente essa equação. Durante muito tempo, a pergunta era: “Como podemos usar tecnologia para tornar este processo mais rápido?”


Hoje, eu acredito que precisamos fazer uma pergunta mais incômoda: “com as tecnologias que temos disponíveis, este processo ainda precisa existir?”


Essa mudança parece pequena, mas altera completamente a conversa. Quando falo em transformação, não estou defendendo que as empresas joguem fora seus ERPs, sistemas legados ou toda a arquitetura que sustenta a operação. Isso seria caro, arriscado e, em muitos casos, desnecessário. O caminho é outro. 


O core continua sustentando aquilo que precisa de estabilidade, segurança, escala e controle. Ao redor dele, podemos criar camadas mais leves, usando APIs, low-code, workflows, software less, inteligência aplicada e IA para transformar a experiência e a operação. É uma mudança de arquitetura, mas também de mentalidade. A empresa não precisa reconstruir tudo para começar a mudar. 


Então, por onde começar?

O primeiro passo é escolher um processo que hoje consome muito tempo, envolve muitas etapas ou depende excessivamente de intervenção humana. Não comece pela tecnologia. Comece entendendo o problema, as regras, as exceções e o valor que aquele processo deveria entregar. 


Depois, faça uma pergunta que nem sempre é confortável: se estivéssemos desenhando essa operação hoje, com as tecnologias disponíveis, faríamos exatamente assim?


Se a resposta for não, não automatize o processo antigo. Redesenhe.


O segundo passo é separar o que realmente precisa estar no core daquilo que pode ganhar velocidade em uma camada mais leve. Isso permite evoluir sem transformar cada mudança em um grande projeto de substituição de sistemas.


E o terceiro passo é olhar para a IA de uma forma diferente. Automação executa regras. IA interpreta contexto. Agentes recebem objetivos e podem atuar sobre uma operação, deixando para as pessoas aquilo que exige decisão, supervisão, correção, exceção e relacionamento.


Isso significa que a pergunta deixa de ser “onde posso colocar IA?” e passa a ser “qual trabalho ainda precisa ser executado por uma pessoa?” É uma diferença enorme.


E mais: se essa transformação avançar como acredito, vamos precisar de menos interfaces para executar tarefas e de mais capacidade para governar o trabalho digital. Não precisamos necessariamente de um software para cada processo. Precisamos ser capazes de governar uma rede de capacidades digitais que trabalham juntas, com visibilidade sobre o que está acontecendo e intervenção humana onde ela realmente agrega valor.


Isso também muda o papel da liderança de tecnologia. Não basta conhecer ERP, cloud, IA ou arquitetura. Eficiência exige três repertórios ao mesmo tempo: negócio, digital e capacidade de transformar isso em uma nova forma de operar.


É por isso que eu não acredito que o futuro pertença às empresas que simplesmente adotarem mais tecnologia. Vai pertencer às empresas que conseguirem olhar para a própria operação e ter coragem de perguntar o que pode ser eliminado, simplificado, combinado ou completamente reinventado.


Tecnologia como base. Eficiência como reinvenção. Negócio como campo de transformação.

Essa, para mim, é a conversa que precisamos ter agora.


* Luciano Luis Mantelli é multiempreendedor, hacker de modelos de negócios e gestão, fundador da FOURGE e das suas verticais FOURGE Consultoria, FOURGE Tech, FOURGE Human e ZHERO, além de idealizador de projetos exponenciais que unem tecnologia, gente e impacto


Quer saber como a FOURGE Tech pode te ajudar a navegar nesse novo mundo da tecnologia como base? 



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