top of page
Buscar

Quando a tecnologia vira problema

  • há 1 hora
  • 3 min de leitura

Enquanto a maioria das empresas discute só sobre novas tecnologias, o verdadeiro desafio continua sendo liderança, estratégia e capacidade de decidir


Por Luciano Luis Mantelli*


Em 2018 eu escrevi o artigo “É hora de RECONTRATAR o papel da tecnologia”. Nele eu fiz um convite às empresas: ao invés de apenas comprar tecnologia, pense o teu negócio com base digital. 


Jéssica e Luciano falam sobre tecnologia no CEO Vision
Jéssica Galvão e Luciano Mantelli na gravação do primeiro CEO Vision

Oito anos se passaram desde então e essa compra, esse acesso à tecnologia, que foi durante muito tempo um baita diferencial competitivo, hoje praticamente desapareceu. Nunca foi tão fácil contratar inteligência artificial, automatizar processos, integrar sistemas ou colocar um copiloto para funcionar em poucos minutos. Ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil gerar resultado com tudo isso. 


Segundo o relatório The State of AI, da McKinsey, a adoção de inteligência artificial generativa explodiu nos últimos dois anos. Em 2025, 78% das organizações já utilizavam IA em pelo menos uma função do negócio. O dado impressiona, mas existe outro que merece ainda mais atenção: apenas uma pequena parcela dessas empresas conseguiu transformar esses investimentos em impacto relevante sobre receita ou lucratividade.


O problema, então, não parece estar na tecnologia. Ele está na forma como as empresas estão tomando decisões sobre a tecnologia.


Nos últimos meses, acompanhei organizações acelerando projetos de inteligência artificial apenas porque seus concorrentes também estavam fazendo. Outras investiram em plataformas sofisticadas sem revisar processos, cultura ou modelo de gestão. Algumas sequer conseguiram responder uma pergunta simples: qual problema estamos tentando resolver?


Talvez estejamos vivendo uma nova versão do velho efeito manada corporativo. Explico: o relatório Global Tech Report 2024, da KPMG, mostra que muitas organizações ampliaram significativamente seus investimentos em tecnologia, mas continuam encontrando dificuldade para capturar retorno consistente desses projetos. Entre os principais obstáculos aparecem governança, liderança, integração entre áreas e ausência de clareza estratégica. Ou seja, fatores profundamente humanos.


É curioso perceber que, quanto mais avançam os recursos tecnológicos, mais importantes se tornam competências como discernimento, capacidade de priorização, leitura de contexto e tomada de decisão. E preciso te dizer: não conheço nenhum modelo de linguagem que faz isso sozinho (pelo menos não ainda). Nenhum algoritmo substitui uma liderança capaz de entender quando uma tecnologia faz sentido e quando ela apenas aumenta a complexidade do negócio.


A próxima transformação talvez não seja tecnológica


Existe uma tendência natural de associar a transformação digital à adoção de inteligência artificial. Mas talvez a maior transformação que estamos vivendo seja outra. Ela acontece dentro das empresas. Os cargos mudam. As competências mudam. A forma de liderar muda. A velocidade das decisões muda. O papel da tecnologia deixa de ser apenas operacional e passa a influenciar diretamente estratégia, cultura, governança e competitividade.


Segundo pesquisa da PwC, executivos reconhecem que a inteligência artificial terá impacto profundo sobre seus modelos de negócio, mas também admitem que a preparação das lideranças ainda caminha em ritmo inferior ao avanço da tecnologia. Essa distância cria um cenário perigoso: enquanto as ferramentas evoluem exponencialmente, muitas empresas continuam decidindo como faziam há dez anos. E não existe tecnologia capaz de compensar esse atraso.


O maior risco é fazer as perguntas erradas


Sempre que surge uma inovação disruptiva, o mercado costuma repetir o mesmo comportamento. Primeiro aparece o entusiasmo, depois vêm os investimentos e só então começam as perguntas difíceis: 


  • Como medir retorno?

  • Quais processos realmente precisam mudar?

  • Quais competências deixam de fazer sentido?

  • Como preparar as pessoas?

  • Como redesenhar o negócio?



Bastidores do CEO Vision sobre tecnologia

Essas perguntas deveriam ter vindo antes da compra da tecnologia. 


Talvez o maior erro das organizações não seja investir em inteligência artificial. Talvez seja acreditar que inteligência artificial resolve problemas que, na verdade, pertencem à gestão. 


É exatamente sobre esses temas urgentes o bate-papo de estreia da nova série da FOURGE, a CEO Vision. Ao longo dos seis episódios, que tu pode assistir rapidinho no Youtube Shorts, eu compartilho reflexões sobre liderança, inteligência artificial, transformação digital, inovação, tomada de decisão e os desafios que tenho observado convivendo diariamente com negócios de diferentes setores.


Se tu acredita que o futuro não será definido apenas pelas tecnologias que utilizamos, mas principalmente pelas decisões que tomamos a partir delas, te convido a assistir à série completa. Talvez as perguntas mais importantes sobre o próximo ciclo da transformação digital ainda nem tenham sido feitas.



* Luciano Luis Mantelli é multiempreendedor, hacker de modelos de negócios e gestão, fundador da FOURGE e das suas verticais FOURGE Consultoria, FOURGE Tech, FOURGE Human e ZHERO, além de idealizador de projetos exponenciais que unem tecnologia, gente e impacto

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
001.png
  • Branca Ícone Instagram
  • Branca Ícone LinkedIn
  • Branca Ícone Spotify

2020 © FOURGE | Todos os direitos reservados. 

Tecnopuc - Av. Ipiranga, 6681 - prédio 96D - Sala 124
Porto Alegre - RS
contato@fourge.com.br

WhatsApp

51995306281

FG_simbolo_RGB-04 - Copia.png
bottom of page