Organizações Exponenciais: A transformação se faz de dentro pra fora

Por Luciano Luis Mantelli


Você já deve ter ouvido falar delas, caso contrário, é melhor se informar rapidamente, porque o mundo dos negócios está em verdadeira ebulição com o advento das chamadas Organizações Exponenciais (ExO’s) – empresas que estão mudando drasticamente a forma de se conceber produtos e serviços e o modo de ofertá-los ao mercado. O tema é tão desafiador que executivos, empresários e gestores estão ansiosos para, em um pulo mágico, levar suas organizações tradicionais ou lineares ao universo das ExO’s que têm possibilidades de crescimento dez vezes maiores.

Porém, é aí que mora o perigo. Não há mágica para concretizar essa transição e sim a adoção de uma nova lógica aplicada ao modelo de gestão capaz de mudar a mentalidade de todos os envolvidos no negócio, inclusive o cliente. As Organizações Exponenciais têm enorme capacidade de alterar comportamentos de consumo. Quer três exemplos bem simples disso? Uber, Airbnb e Netflix. Empresas que até bem pouco tempo atrás sequer existiam e hoje fazem parte da rotina de milhões de pessoas mundo afora, gerando até mesmo nova fonte de renda.

Aliás, o grande trunfo das ExO’s está no fato de serem escaláveis, velozes e inteligentes. Devido ao uso de tecnologias aceleradas, desfrutam do sucesso em um nível jamais visto com um mínimo de tempo e recurso. Por isso, não é de se estranhar que a pergunta que mais ouço nas consultorias seja a de como fazer a transição de um negócio tradicional com vistas à exponencialidade. Para clarear o entendimento, preparei um esquema de como promover a mudança do mindset, a partir do modelo de gestão.


O primeiro passo é entender o cenário desta era pós-digital em que estamos mergulhados. Vamos lá? A tecnologia se desenvolveu a ponto de criar novos paradigmas de negócio com base na assimetria de informações, no poder de conexão das pessoas, no compartilhamento de experiências sobre produtos e serviços, na automação de processos e no uso de algoritmos cognitivos, além da Internet das Coisas (IoT), dentre outros.

O prioritário, porém, é recolocar o foco nas pessoas. Sim, nas pessoas, pois nem 40% das tecnologias disponíveis são aplicadas no universo empresarial, simplesmente porque ainda se conserva o modelo mental de quando elas não existiam. A era pós-digital gera inúmeras possibilidades de novos negócios que, por sua vez, exigem modelos de gestão mais fluidos, ágeis, com pensamento intraempreendedor, para assegurar mais autonomia dentro das empresas em uma atuação horizontal, descentralizada e em rede.

É chegada a hora de decretarmos o fim de velhas estruturas organizacionais, como áreas, setores e departamentos, para a formação de times que atuem de maneira matricial (multidisciplinar), com lideranças situacionais emergindo naturalmente. Os antigos chefes devem agir mais como facilitadores do processo, como líderes responsáveis pelo ambiente, pelo senso de propósito, por garantir a busca pelo valor e pelo incentivo à autonomia da equipe, a fim de fomentar a inovação em todo o trajeto. Porque uma coisa é fato: inovação só se faz em meio à liberdade de pensamento.

Neste novo modelo de negócio, portanto, é vital ressignificar o conceito de "trabalho". As pessoas precisam "entender porque acordam todos os dias de manhã e fazem o que fazem" e enxergar significado nisso. O motivo é simples: a proposta de valor da empresa tem que ter conexão com os propósitos de cada um dos que trabalham nela ou para ela. Aí sim, é possível estabelecer a verdadeira base da organização exponencial: um propósito massivo transformador. Algo que dá sentido ao fazer diário, à vida em sociedade e que gera uma enorme transformação pelo seu caráter disruptivo.

Bora começar o trajeto?


Para não confundir

- Toda startup é uma ExO?
Não. Embora também tenham pensamento sistêmico e enxuto e façam uso crescente da tecnologia, inclusive por meio de aplicativos (apps), nem toda startup é uma organização exponencial. Para que seja considerada uma ExO, ela precisa atender alguns pré-requisitos, como Digitalização, Disrupção, Desmonetização e Democratização.
- Uma organização exponencial é uma empresa essencialmente de tecnologia?
De fato, as ExO’s têm seu modelo associado aos paradigmas pós-digitais e, assim, usam a tecnologia como base para todo o negócio, permitindo a escala e a agilidade necessárias ao crescimento exponencial. Organizações que não são exponenciais, em geral, usam a tecnologia apenas como meio.


Luciano Luis Mantelli

Apaixonado por pessoas, negócios e modelos de gestão! Hacker especialista em modelos de gestão e negócios, consultor de projetos de inovação, especialista em gestão estratégica e inteligência analítica.

Fundador da Fourge.

Mentor e curador de startups da área de saúde, agro e tecnologia. Atua no mercado de saúde desde 2005 com foco em projetos de tecnologia, gestão e modelos assistenciais.


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