Qual o modelo de Saúde dos seus sonhos?

População brasileira valoriza plano de Saúde e confia no SUS como nunca após dois anos de pandemia. Mas será que esses são os modelos ideais pra cuidar da gente?


A satisfação com o plano de saúde chegou a 84% em 2021, auge da pandemia da Covid-19. Foi o melhor índice da série histórica da Pesquisa IESS 2021, feita pela Vox Populi a pedido do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). E não foi só a satisfação que bateu recorde, não: os índices de recomendação (86%) e de intenção de continuar com o plano (90%) também atingiram no ano passado o melhor desempenho desde 2015, quando essas perguntas foram incluídas no levantamento.


A fatia representa em torno de 30% das pessoas que podem pagar por um plano no Brasil, mas a satisfação não se resumiu ao mercado privado. O Sistema Único de Saúde (SUS) subiu no conceito de 36% das pessoas entrevistadas que relataram aumento de confiança no modelo, também em 2021, segundo a pesquisa EXAME/IDEIA. Claro que a vacinação em massa dos brasileiros contra o coronavírus teve seu papel nesses números.

Podemos dizer, então, que o modelo de saúde brasileiro, privado ou público, é ideal?


Pense no seguinte: é tri legal ter cobertura de consultas, exames e internação quando a gente está doente, né? E tomar uma vacina tão aguardada quanto a da Covid-19, que ajudou, de fato, a baixar o número de casos de uma pandemia global, também é muito importante.


Só que tudo isso é pagar (e sim, você também paga pelo SUS) por doença. Mesmo no caso da vacinação, que é, em geral, considerada uma medida preventiva, porque ela só surgiu depois da Covid. Embora seja complexo prever o desenvolvimento e avanço de uma doença dessas, a imunização em massa agiu muito mais como um grande tratamento em busca de diminuir os efeitos do coronavírus na nossa sociedade do que um modelo para prevenir o seu aparecimento - afinal, a pandemia já estava instalada.


Então, se o modelo de saúde que a gente sonha é um modelo de doença, como podemos nos tornar saudáveis - que é o que a gente quer, de fato?


Essa pergunta não é simples de responder em um país de dimensões continentais como o Brasil. A mudança do modelo para um que tenha como foco a manutenção da qualidade de vida não depende só do sistema de saúde, mas também das pessoas. São elas que precisam estar dispostas a cuidar de si mesmas, de consumir mais alimentos saudáveis, de praticar atividades físicas, de ficar de olho na saúde mental. Talvez, até, de dividir o risco com o plano de saúde, assumindo metas que, caso sejam alcançadas, podem gerar descontos naquele boleto mensal que é tão suado pra gente pagar.


Algumas dessas questões ganharam destaque - para algumas pessoas, a gente precisa enfatizar - durante a pandemia. E algumas organizações de Saúde também já perceberam que pessoas mais saudáveis geram menos custos. Porém, ainda vivemos num país em que é preciso colocar cartazes em banheiros públicos explicando a importância de dar descarga e jogar o lixo no lixo. Isso sem falar em lugares onde as pessoas não têm saneamento básico, acesso à educação, saúde e condições mínimas de vida. Tarefa difícil essa conscientização.


É aquela velha história que o Luciano Mantelli, fundador e hacker da FOURGE, já contou no artigo Futuro desejável - ou por que a saúde precisa do seu Iphone: quando a Apple lançou seu primeiro aparelhinho lá em 2007, o que as pessoas queriam de um celular era melhorar a duração da bateria, diminuir o tamanho do aparelho e ter mais qualidade de sinal e de rede. Elas sequer pensavam em ter um equipamento na palma de suas mãos que seria capaz de gerenciar suas vidas. O resto da história você já conhece.


Não custa perguntar de novo depois da leitura desse texto: qual é mesmo o modelo de saúde dos seus sonhos?


Descrição da imagem: card único em tons de verde, com recortes de vários elementos da medicina, trazendo a frase “Qual o modelo de saúde dos seus sonhos?”


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