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Atenção primária e os novos modelos de negócio em Saúde

Modelo integral, longitudinal, acessível e baseado em comunidades pode resolver até 90% das necessidades de saúde de uma pessoa ao longo da vida


Vamos começar esse conteúdo com dados que causam preocupação (ou ao menos deveriam): em todo o mundo, houve um aumento do gasto público na Saúde que varia de 3,8% a 4,2% nos últimos cinco anos. E a tendência de alta se mantém para os próximos anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).


Em paralelo a essa alta, a população segue envelhecendo. Segundo estimativas da própria OMS, enquanto a quantidade de idosos vai duplicar no mundo até o ano de 2050, no Brasil, ela quase vai triplicar, o que fará o país se tornar a sexta população mais idosa do planeta.


Se a lógica é que quanto mais envelhecemos, mais precisamos de serviços de cuidado em saúde, como fazer essa conta fechar?



Um dos caminhos é a construção de novos modelos de negócio em Saúde que tenham como base a atenção primária. Sim, essa é a mesma estratégia amplamente adotada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde sua origem, há mais de 30 anos. Porém, se você pensa que ela é indicada somente para a Saúde Pública, a gente te ajuda agora a rever esse conceito.


Primeiro traremos as principais definições da OMS sobre o que é a atenção primária à saúde:


  • Na sua essência, a atenção primária à saúde, ou APS, cuida das pessoas em sua integralidade e longitudinalidade, em vez de apenas tratar doenças ou condições específicas.

  • Esse modelo, que oferta atendimento personalizado, acessível e baseado na comunidade, pode atender de 80% a 90% das necessidades de saúde de um indivíduo ao longo de sua vida.

  • Isso inclui um espectro de serviços que vão desde a promoção da saúde e prevenção até o controle de doenças crônicas e cuidados paliativos, tendo como base a coordenação do cuidado.

  • Será impossível alcançar a saúde para todas as pessoas sem agir sobre os determinantes sociais, econômicos, ambientais e comerciais da saúde, que geralmente estão além do setor da saúde.


Com base nessas premissas, construir um modelo de negócio que tenha como princípio a atenção primária é garantir que as pessoas sejam tratadas em sua integralidade, com planos de cuidado baseados em sua realidade de vida e levando em consideração, ainda, os fatores sociais, econômicos e culturais da sociedade na qual ela vive. Trata-se, portanto, de um modelo que prioriza a qualidade de vida e a promoção e prevenção de saúde em detrimento da dualidade tratamento/cura para doenças já estabelecidas.


A tecnologia é também uma importante aliada dos modelos de negócio com foco em atenção primária. Um bom exemplo é o uso de um aplicativo para que a pessoa possa acompanhar os dados e evoluções do seu plano de cuidados na palma da mão. É como uma espécie de prontuário eletrônico com todo o histórico da pessoa que pode ser livremente acessado por ela - o que não acontece hoje, na prática, na maioria das organizações de Saúde, embora exista por lei o direito de acesso às informações pessoais de saúde.


Outra forma de usar a tecnologia para apoiar o modelo é por meio de um sistema de gestão que concentra dados fundamentais para a implementação de programas de cuidado. Esse software mostra, por exemplo, se em uma determinada região ou população a incidência de uma doença está maior, o que pode levar ao reforço das ações de prevenção da enfermidade.


Quer, então, alguns exemplos de modelos de negócio em Saúde que têm a atenção primária como base? Pois vamos a eles:


  • Gestão de Saúde Corporativa, que executa um modelo de cuidado para o seu quadro funcional, a partir da atuação da atenção primária, proporcionando uma cultura de autocuidado apoiado, coordenação do cuidado e redução de índices como absenteísmo, turnover e a sinistralidade do plano de saúde;


  • Programas de coordenação e a integração do cuidado centrado na pessoa que incentivam o desenvolvimento de estratégias para lidar com enfermidades crônicas não-transmissíveis mais prevalentes em pessoas adultas e idosas (como doenças cardiovasculares, respiratórias, diabetes e câncer), condições ligadas ao ciclo de vida de crianças e adolescentes, à maternidade e ao período perinatal, além de distúrbios emergentes como depressão e quadros de demência.


  • Clínicas de Atenção Integral à Saúde, com atuação multi e interdisciplinar de profissionais, como medicina e enfermagem de família e comunidade, nutrição, psicologia, educação física e outros serviços assistenciais que possam oferecer um cuidado básico e eficaz às pessoas. Essa iniciativa já é um modelo que diversas operadoras de planos de saúde adotaram para gerenciar com mais eficácia suas carteiras de clientes.


Quer ajuda para pensar em novos modelos de negócio que tenham a atenção primária como foco? Então fale com a gente!





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